Cuba: 3 dias em Havana

Todos as minhas viagens são aguardadas com ansiedade, mas Cuba foi especial. Estava ansioso para ver de perto o que eu lia nos diversos blogs de viagem e comentários no Facebook de quem já tinha ido.

Cuba é mais interessante para quem conhece e gosta de sua história de luta contra o imperialismo americano, mas se você nunca leu sobre a Revolução Cubana, também terá grande chance de se apaixonar pela ilha. Cheia de vida, musical e com um povo sedutor, não tem como errar.

Vamos começar pelos 3 dias em Havana:

1° DIA

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Cheguei a Havana de madrugada. Um taxista já me aguardava com um papel escrito meu nome. Nessa viagem fui com uma amiga mexicana que havia chegado na parte da tarde do dia anterior e foi buscada pelo mesmo taxista. Assim, nossa primeira conversa foi sobre ela. Ele comentou que ela chegou bem e se referiu a ela como minha namorada ou esposa. Ao dizer que ela era minha amiga, ele ficou confuso e me perguntou várias vezes durante o caminho “então, ela não é sua namorada?”. Latinos em geral são machistas, mas os cubanos me pareceram mais do que os brasileiros.

Enfim, conversamos bastante no caminho. Ele me falava muito sobre o calor que fazia a ilha, apontava pros lugares e explicava o que era e depois de uns 15 minutos chegamos na casa onde a dona e seu cunhado já me esperavam. Encontrei minha amiga no quarto, conversamos um pouco e fomos dormir.

Acho que dormimos umas 4 horas, porque as 7h já estávamos acordados. Nos hospedamos em casa de cubanos. É mais barato que hotel e você tem o contato direto com o povo. Como não há muito trabalho e o salário em Cuba é baixo, muitos cubanos alugam quartos para complementar a renda. Na casa onde ficamos ambos os donos eram médicos. Não sei ao certo se exerciam a profissão, porque estavam sempre na casa. O cunhado era professor de inglês e estava de férias. Geralmente essas casas são cadastradas no governo e por isso quando você chega, os donos da casa pedem seu passaporte para anotar o número. Deve ser algum tipo de prestação de contas que precisam dar ao governo.

 Por volta das 8h tomamos café da manhã. Nem toda casa tem refeição. É preciso se informar com os donos antes. Onde ficamos o café custava 5 CUC (= 18 reais) e era bem farto. Tinha goiaba, manga, abacaxi, pão, queijo, suco, café e leite. Tudo muito gostoso e fresco. De estômagos cheios partimos pra rua.

Rua Obispo

Estávamos localizados atrás do Capitólio, no centro de Havana. Bem perto de vários pontos turísticos. Nosso primeiro destino foi andar pela Rua Obispo (Calle Obispo). Essa é a rua dos souvenirs, restaurantes, livrarias, cubanos e gringos. É uma rua estreita, mas está sempre movimentada. A rua é longa, começa no bar Floridita, o famoso bar onde Ernest Hemingway tomava daikiri, e ia até a Plaza de Armas, a praça onde vários livreiros montam suas barracas. Os livros vendidos na Praça de Armas são caros, mas sobre isso falo em outro post.

Castillo de la Real Fuerza

Bem próximo a Plaza de Armas se encontra o Castillo de la Real Fuerza. Construído para defender a região de piratas, o castelo, que na verdade é um forte, é o mais antigo construído em pedra nas Américas.

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A entrada custa 3 CUC (=R$10), mas é um forte bem pequeno. Nele você encontrará replicas de navios, moedas e objetos pessoais da época da colonização, alguns canhões e só. É um passeio para conhecer um pouco da história cubana pré-revolução. Há algumas funcionárias que te orientam sobre tirar foto ou não. Algumas irão te explicar sobre cada peça e ao final irão pedir uns trocados alegando que ganham mal. Elas não estipulam um valor. É como uma contribuição.

Galy Café

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Depois do Castillo, resolvemos almoçar. Retornamos todo o trajeto até próximo de onde estávamos hospedados porque é lá que fica uma restaurante bem econômico que me foi sugerido. Localizado na Rua San José, atrás do Capitólio, se encontra o Galy Café. É um restaurante pequeno, mas muito charmoso e o melhor de tudo, cobravam em pesos cubanos. Aliás, isso é algo a se considerar em Cuba. Muitos restaurantes cobram em CUC, que é a moeda para turistas, porém, alguns restaurantes cobram em pesos cubanos. Esses são, sem dúvida, os mais baratos. Para se ter ideia, uma pizza no Galy Café custava 50.00 pesos cubanos, o equivalente a 2 CUC (=R$ 7,00). Em Cuba, nos lugares em que comi pizza, não notei opções de tamanho. Não vi pizzas pequenas, média e grande. No Galy Café 1 pizza dava pra mim e minha amiga, mas vi vários cubanos comendo uma pizza daquela sozinhos, inclusive crianças. Então é sempre bom perguntar o tamanho, ou dar uma conferida discreta na mesa ao lado.

O Galy virou nosso restaurante predileto. Pelo preço, pela rapidez no servíço e por estar perto de onde nos hospedamos. Além de pizza, eles também servem frutos do mar, arroz, feijão, batata frita, macarrão, mas lá eu só comia pizza ou macarrão.

Museu da Revolução

Nosso próximo ponto turístico foi conhecer o Museo de la Revolucion. Em frente ao Capitólio há uma calçadão arborizado que segue em direção ao Malecón. Antes de chegar no Malecón, você encontrará o Museu da Revolução. Essa foi a parte mais difícil da viagem, porque foi quando eu realmente senti o calor que fazia. Havana é úmida como o Rio de Janeiro e muito mais quente. Mesmo acostumado com o calor do Rio, eu quase não aguentei chegar ao museu.

Quem vai a Havana não pode deixar de visitar o Museu da Revolução, porque este é o lugar dedicado ao movimento que mudou a história da ilha. A entrada custa 8 CUC (R$ 32) e é composta por 3 andares. Nela você irá ver fotos, objetos usados na revolução, uniformes usados por Fidel e assim vai. Embora o prédio seja muito grande e pomposo, a exposição em si é simples, porém importante. Se fosse um museu com tecnologia de ponta, seria um contraste em relação a como vive o povo cubano. Não consegui ver a exposição completa porque o calor estava acabando comigo.

A única coisa que me decepcionou foi não poder tirar foto em frente aquela enorme bandeira cubana que fica em uma das salas. Ela estava fechada para reformas.

Saindo do museu, voltamos para casa. Eu precisava tomar banho e descansar.

Malecón

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No finzinho da tarde resolvemos sair para ver por do sol no Malecón. Chegamos por volta das 18h e ficamos sentados na mureta conversando e observando o que passava em volta. Em Havana você encontrará cubanos que irão te abordar para oferecer algo. A melhor opção é não aceitar. No geral, eles são inofensivos e não insistem muito. Pelo menos foi a nossa experiência. Tem gente que já se sente incomodada com abordagem deles. No Malécon fomos abordados por um grupo de meninos que tomavam banho no mar. Passaram por nós e nos pediram cigarro. Disse que não tinha e seguiram em frente. Mais tarde voltaram de novo e me pediram cigarro de novo. Dessa vez eu disse que não fumava e não me incomodaram mais. O Malecón é um calçadão à beira mar onde casais vão para namorar, gente vai parar contemplar a paisagem, gringos vão para tirar foto. No verão, a melhor hora é mesmo por volta da das 18h-19h e esperar o por do sol que só se põe as 20h. É muito bonito e vale a pena. À noite começa a ficar movimentado. Em algumas partes você encontrará barraquinhas vendendo mojito, música alta, até prostitutas.

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Depois que o sol se pôs e a noite chegou, partimos para casa descansados e satisfeitos com a bela paisagem habanera.

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2° DIA

Nosso segundo dia em Havana foi de sombra e água fresca. Revolvemos acordar cedo e depois daquele café da manhã caprichado da dona da casa, partimos para a praia. As praias mais famosas de Cuba estão em Varadero, mas em Havana também há praias. Ficam a uns 15 minutos do centro e você pode chegar lá de ônibus ou colectivo. Os colectivos são carros antigos que fazem lotada. São muito baratos, porém tivemos dificuldade para saber de onde partiam. A dona da casa me disse mais ou menos onde estavam, mas acredito que ela não os usava há muito tempo porque chegamos onde nos indicou e nada. Caminhamos pedindo informação até que resolvemos pegar umas daquelas bicicletas com dois lugares. Na ida fui conversando com o rapaz que pedalava a bicicleta e brincando que trabalhando dessa forma ele não precisa de ir a academia. É preciso muita resistência para percorrer aquelas ruas.

Finalmente chegamos até o terminal de trens de onde saía o tal de colectivo. A viagem foi tranquila. Descemos próximo a praia e fomos procurar uma sombra.

Guanabo

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Há várias praias em Havana. Nos disseram que a mais bonita seria a Santa Maria, mas essa não tinha nenhuma estrutura. Era no meio do nada. A outra opção seria a praia de Guanabo que fica num vilarejo. Nessa você encontra até tendas para comprar água, cerveja e comer algo. Foi a praia que escolhemos.

A água dessas praias são azuis como Cabo Frio ou Arraial do Cabo, mas duas coisas me chamaram a atenção:

  • a água era quente e isso não me agradou. Um dica é ir muito cedo para pegar a água mais fresca.
  • os cubanos entram na água de roupa. Homens entram de boné e camisa de manga comprida. Um cubano disse que é para não se queimarem muito. Cada um com suas manias. hehe

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Não há guarda-sol para alugar em Guanabo, mas há algumas árvores onde você pode se abrigar do sol. Dizem que essas praias em Havana são mais para cubanos, mas mesmo em Varadero que é considerada para turista, ficamos numa área onde a maioria era cubano também.

Fomos num dia de semana e a praia não estava lotada. Não sei como seria em um fim de semana. Será que é como Ipanema ou Copacabana?

Floridita

20160804_212650A noite foi o dia de sair para beber algo. Como estavamos cansados, resolvemos dar um pulo no bar Floridita para beber um mojito ou daikiri. O Floridita é o bar onde o escritor Hemingway bebia seus daikiris. Nele há uma estátua do escritor. É um bar mais caro que os outros por causa de sua fama. Um mojito lá custava 6 CUC (R$20). Como esses preços sempre me enganam, eu bebi dois. R$ 40 reais em dois mojitos. Bom, provavelmente não iria voltar mais lá, então por que não esbanjar um pouco, né?

No Floridita há música ao vivo. Geralmente temas cubanos como Chan Chan e Guantanamera, mas lá escutei Mais Que Nada do Jorge Ben também. Nossa passagem pelo bar foi rápida. Ficamos 1 hora e retornamos para casa. Estavamos cansados.

3° DIA

Acordamos cedo mais uma vez e partimos para a Praça da Revolução. A famosa pra onde vemos o rosto do Che e de Camilo Cienfuegos estampados em dois prédios. Fomos de ônibus e descemos bem próximo. A praça fica cheia de gringos tirando fotos. Aqueles carros antigos, bem conservados também fazem sua parada na praça. Nesses carros você paga algo em torno de 45 CUC (R$ 150) e percorre os principais pontos turísticos de Havana. A praça de Armas é uma dessas. Você não contrata esse serviço nessa praça. Geralmente estão eles ficam perto do Capitólio.

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Depois das fotos regressamos para casa. Tentamos fazer a mesma coisa e usar o ônibus, mas foi impossível. Todo ônibus que tentavamos pegar ficava lotado muito rápido. Os tais colectivos também passavam cheios. Apelamos para o Coco Taxi, então. Pagamos 10CUC pelos dois e seguimos até o Capitólio. É legal usar esse meio de transporte pelo menos uma vez. Aproveitamos para filmar um pouco de Havana.

Souvenirs

Na parte da tarde retornamos a rua Obispo para comprar souvenirs. Você encontrará muitas lojas que vendem lembrancinhas por lá e são praticamente as mesmas coisas e o preço é praticamente igual. Aliás, me pareceu que até mesmo em outras cidades os preços não mudavam.

O que você irá encontrar?

  • camisetas com o rosto do Che ou escrito Cuba
  • placas de carro escrito Cuba ou com o rosto do Che
  • bonecos em madeira simbolizando o povo cubano
  • imãs de geladeira
  • bonés daqueles verdes usados por guerrilheiros
  • bonés escrito Cuba
  • quadros com o rosto do Che ou com paisagens de Cuba.

Bom, depois de comprar nossos presentes. Voltamos pra casa e descansamos. No dia seguinte teriamos uma viagem até nosso próximo destino: Varadero.

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